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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Animais na música de Cabo Verde - III


Funk Palina, composição de Luís Rendall gravada por Teté Alhinho no disco Voz, é outro exemplo da presença de animais na música cabo-verdiana. A música fala de tartaruga, de baleia e de tubarão. Desta vez, o animal serve como metáfora para uma morna com letra cheia de malícia e ironia. Confesso que nunca tinha compreendido essa letra, até que resgatei de um Voz di Povo de 1982 um texto de Eutrópio Lima da Cruz, "A mulher na poética musical cabo-verdiana", que traz a explicação: Rendall teria perdido uma namorada para um rival, e comenta o facto na morna que refere que o par (Tartaruga e Pintado, o tubarão-baleia) encontra-se em Funk Palina, local para encontros clandestinos, enquanto tud tartaruga ta sai na praiona...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Animais na música de Cabo Verde - II


Se o gato foi com Vasco Martins a primeira vez, a cabra, essa grande companheira dos camponeses cabo-verdianos (aliás, este blog começou, há um ano, com uma história de cabra), apareceu já, pelo menos uma vez numa obra discográfica.

O disco que Sema Lope lançou em 1998 chama-se, aliás, Cabra Preta, e a cara dela aparece na capa e no próprio CD que, claro, tem um tema com esse título.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Animais na música de Cabo Verde - I


Provavelmente pela primeira vez na história da música cabo-verdiana, um gato aparece na capa de um disco. E ainda por cima, no colo do seu dono, tratado carinhosamente!
Trata-se do mais recente álbum de Vasco Martins, Li Sin, que além de ser um lindo trabalho em que o violão dialoga com os instrumentos da tradição erudita (String Quartet Artzen), tem esse pormenor simpático e educativo: o amor pelos animais.
Parabéns ao Vasco Martins, por ambos: música e gato.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Passarinha

Quase não dá para ver, diluída na paisagem, em Santa Catarina, mas há ali uma passarinha.

Em 1914, Pedro Cardoso, usando o pseudónimo Afro, publicou num jornal um poema ao longo do qual inseriu os versos da morna Passarinha de Pena Azul .
No fim há uma nota explicativa, dizendo que ele reproduz a canção tal qual a ouviu a uma camponesa da sua terra. Diz que ela cantava com a melodia do Perdão Emília, música em voga na época. "Assim a arquivei no meu poemeto, onde – ciclo contemporâneo – outros espécimes do folk-lore cabo-verdiano se reproduzem", escreveu o poeta.

No seu álbum Memórias Atlânticas, Vasco Martins faz uma citação musical deste tema, que por vezes aparece com o título Maria Adelaide e que se pode ouvir, na voz de Teté Alhinho, no CD Sentires. Travadinha também gravou, ao vivo no Hotclub.